E quase tudo o vento levou ...
Esta aventura começa na Escola de Hotelaria de VRSA, pelas 14h. O vento sopra e sinto um arrepio na espinha... penso ''Vamos mó!''
Sigo viagem com os meus colegas.
Rumo a poente, onde a aventura nos aguarda!
Chegamos a Cabanas, aqui na Eolis, somos recebidos pelo staff onde nos é feito um briefing sobre o que nos espera. O plano é o seguinte: primeiro mudamos de roupa, coloquei o meu super fato de neoprene, realçando o que de bom há em mim, mas não se iludam... não foi só comigo. O coração acelerado dita o meu ritmo, não vejo a hora de me lançar à água! A partir daí deu-se a apresentação de um mundo comum de pessoas incomuns... As que vivem de mar.
Mas antes, a foto da praxe!
A Eolis, deu-nos o plano, iríamos pegar nas pranchas de Stand Up Paddle (SUP), fazer o aquecimento, ouvir falar das condições e meteorologia, treinar a técnica de remada e equilíbrio... Senti-me pronto para iniciar a travessia, era disso mesmo que se tratava: iria estar a navegar na Ria Formosa, entre Cabanas e Cacela Velha. Enquanto navegava na ria, olhando para a costa a norte, paro e observo com detalhe o Forte S. João da Barra. O som das aves que rodeiam desperta-me mais uma vez para a necessidade da conservação da Mãe Natureza. Na prancha, senti um misto de emoções: medo, alegria, coragem, satisfação.
De repente, um pequeno deslize mais rápido, e... puff. Água com ele. Senti-me como o filho que pensou que ia ser castigado pelo pai e foi acolhido por um abraço... afinal não estava assim tão fria.
A aventura do SUP estava terminada, agora seguia-se um vendaval de adrenalina! Foi-me entregue uma vela, e treinei algumas técnicas em terra firme. Esquerda... Direita... Agarra a retranca... Solta a retranca... E nesta valsa, senti o vento e com ele aprendi a velejar. A primeira vez estava a chegar e para minha surpresa foi melhor do que estava à espera: a wing ajudou-me a equilibrar e deu-me mais segurança. Devido à maré estar vazia, o regresso ao local de partida tornou-se praticamente impossível mas enchendo-me de coragem, serrando os dentes, caminhei contra marés e correntes para poder voltar.
Por esta altura, com o vento a soprar e o sol a descer, estava um frio de rebentar e o meu super fato, já era... por muito que corresse, saltasse e experimentasse outras técnicas de aquecimento, nada resultou até que surgiu o próximo desafio: experimentar voar uma asa de Kitesurf!
Começámos pela janela de vento: dei costas ao vento e abri os braços, aí estava ela à minha frente. De seguida, aprendi a montar a asa e a barra, de forma a perceber o seu funcionamento. Com a asa engatada no meu arnês, pude testar todos os procedimentos de segurança antes de poder levantar voo. Com a asa lá em cima, senti que podia dominá-la e percebi que às vezes é necessário soltar a barra para manter o controlo... uma analogia que pode ser perfeitamente aplicada à Vida. Percebes o que quero dizer?
De asa no ar, senti-me novamente criança, relembrando as brincadeiras... O poder sentir a adrenalina... Foi o único momento em que prendi a respiração... Senti a força da natureza... O poder do vento.
O dia estava ganho, coração cheio, um pôr do sol fenomenal e a alma lavada.
NOTAS TÉCNICAS:
Perigos identificados:
Há vários aspetos que devemos ter em conta antes e depois de iniciar estas atividades, é importante fazer uma análise dos riscos e dos perigos adjacentes.
Podemos agrupar o perigo/risco em três diferentes grupos, e neles deixo-vos alguns exemplos:
- Participantes: Excesso de confiança; não saber nadar; falta de responsabilidade; falta de coordenação e/ou equilíbrio;
- Material/Equipamento/Staff: Falta de formação; discrepância entre número de colaboradores e participantes; falta de instruções ou insuficientes; falta de verificação do equipamento antes da atividade; falta de verificação da colocação do material pelos participantes; danificação do material durante a atividade;
- Condições Externas/Ambientais:
- Com o Vento/ Ar - Mudança do vento (direção, intensidade e qualidade) e aves a voar;
- Na Água - Corrente, obstáculos, marés, ondas e agueiros;
- Em Terra - Conchas agressivas, lixos, presença de pessoas, animais e obstáculos verticais.
IMPORTANTE e NÃO DEVE SER ESQUECIDO:
- Antes da atividade:
- Formação dos colaboradores;
- Verificar o estado do material;
- Fazer um Briefing e garantir que todos os participantes ficam com as informações necessárias;
- Nunca esquecer de verificar se os materiais de segurança estão bem colocados e fixos;
- Garantir que não temos participantes a mais na atividade; - Durante a atividade:
- Acompanhamento dos participantes;
- Alerta para perigos externos; - Depois da atividade:
- Debriefing sobre a atividade, percebendo os pontos fortes e os pontos de melhoria;
- Limpeza, recolha e manutenção do material.
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Cuidados a ter na manutenção do material:
No caso do vestuário e calçado, e aqui focamos o Neoprene, após utilização devemos virá-lo do avesso (sempre que possível), passar por água doce preferencialmente à mão. No caso do uso de detergente e/ou amaciador, devemos optar por produtos inócuos que não danifiquem o material. Para secar, devemos colocar num local arejado e à sombra, pendurado sobre uma base larga (tronco ou cana) e SEMPRE pelo meio!
É tudo por hoje! Esperamos que tenham gostado.
Não percam a próxima aventura, porque nós também não!
CURSO DE TURISMO DE NATUREZA E AVENTURA
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Adorei a leitura, muito inspirador!
ResponderEliminar"é necessário soltar a barra para manter o controlo..." Verdade mesmo e sempre bom de ser lembrado.
Verdade Milena o Esporte tem essas analogias o que o torna sempre mais apaixonante .
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